É meio estranho pensar no “resultado” como uma parte(zinha) do “processo”? Talvez seja…mas pra nós, “resultado” significa apenas uma parte de um todo muito maior e mais abrangente que chamamos de “processo”. Acreditamos em processos cíclicos e o que fazemos na Mutama é criar consciência sobre a beleza de vivê-los com presença. O “processo” está vinculado ao “aqui e  agora”, que nada mais é que o tempo presente, onde podemos viver a experiência conscientes da capacidade que ela tem de nos transformar.

Vamos tentar esclarecer, “processo” é aquela aula que fazemos num dia meio esquisito, em que tudo está dando errado e a aula nos causa incômodo, despertando até emoções negativas (e por que não?). Ao mesmo tempo, “processo” também é a gente olhar pra esse tanto de emoções que surgiram e escolher voltar na próxima aula, tentar mais uma vez e evoluir com isso. O que não quer dizer que a gente conseguiu fazer aquele bendito quadradinho, ou que a gente subiu no tecido, que a gente aprendeu a conduzir na dança a dois (ou seja lá qual foi o objetivo que você estabeleceu para você), isso quer dizer que a gente está se permitindo evoluir no nosso tempo, acolhendo qualquer coisa que apareça: seja colorida ou dolorida.

O foco no processo importa porque ele nos obriga a olhar para nós e reeducar nossa presença. Em outras palavras: focar no processo é se autorresponsabilizar! Será que não seríamos mais felizes se a gente comemorasse cada parte daquele movimento novo que estamos aprendendo em vez de esperar para comemorar apenas no dia em que executarmos o movimento inteiro? E já pensou que bonito as pessoas ao seu redor sendo inspiradas pelo seu processo?

Um grande mal da modernidade tem sido transitar permanentemente entre dois estados de espírito: o depressivo e o ansioso. O estado depressivo significa que estamos vivendo apegados a aspectos do passado, enquanto a ansiedade tem a ver com mantermos nossa mente focada no futuro. Não tem problema revisitar o passado de vez em quando e nem querer ter uma bola de cristal para antecipar o futuro às vezes, mas se esse é um estado constante da sua consciência por que não assumir o desafio e os riscos de viver um pouco mais no tempo presente e, assim, evoluir focado nos processos que você vive?

Texto: Mariana de los Santos